
Depois de um longo inverno e quase no final da primavera estou de volta ao meu espaço, espero que ainda tenha leitores pois esse disco que irei falar agora assim como o nome que o carrega é chocante, segue as palavras da capa do mesmo:"Artificialmente limpa pelo processo Olivetti de tecladismo estéril, a MPB ultimamente não tem correspondido à violência do país que a produz. Pelo menos a MPB letra O, emanada da burocracia do show-bizz e do oficialismo político do bom humor a preço de hiena. Fernando Pellon vai chocar essa hipocrisia generalizada vendida com rótulo de bom gosto e status. 'Nunca gostei de eufemismo', vai logo cantando ele. E dá nome às doenças, como fazia Augusto dos Anjos, com um requinte de morbidez que ainda perde, no entanto, para a crueldade exibida diariamente por nossas autoridades mais altas.". Tárik de Souza.
A Capa do LP é um caso aparte traz manchetes, do extinto jornal popular Ultima Hora, que dialogam com as temáticas das letras. Na capa as fotos das 5 vozes do disco imitando cartaz dos procurados pela repressão, no rodapé há um texto do jornalista Tárik de Souza, como foi lido acima apresentando e emprestando credibilidade ao lançamento.
Conheci esse disco por obra do acaso vi o nome e achei muito curioso ouvi na certeza que daria boas risadas, quando pra minha surpresa me deparei com um disco de MPB com um humor acido com um clima soturno, as letras são genias como se alguém pegasse esses jornais que só falam de tragédias urbanas e jogasse a melodia.As letras lembram o genial poeta Augusto dos Anjos e são todas de autoria de Fernando Pellon à exceção de "Tal como Nazareth", composta em parceria com Paulinho Lêmos, e "Flores de Plástico ao Amanhecer", com Renato Costa Lima.
Vale lembrar que a ditadura obviamente censurou o disco o que torna ainda mais curioso e intrigante a obra nos remetendo hoje ao som que Rogério Skylab faz.Se você esta perguntando como nunca ouvi fala de Fernando Pellon por onde ele anda , calma eu explico hoje ele é geólogo da Petrobrás; não é famoso, não é rico, mas é tipo um Augusto dos Anjos dos tempos da década de oitenta, com direito a nomeação de doenças infecto-contagiosas e afins.
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